Rango (Gore Verbinski, 2011)
Eu fiquei sabendo da existência de Rango bem pouco antes dele estrear. Nunca fui muito fã do Gore Verbinski e seus Piratas do Caribe, e considero o Johnny Depp um dos atores mais boçais da atualidade (eu juro que se ele fizer mais um filme babaca com o Tim Burton, interpretando o mesmo papel de sempre [ele próprio], eu vou me jogar pela janela ouvindo o CD da Ângela Bismarchi enquanto me masturbo com uma foto da Susana Vieira).
Achei o trailer bem fraquinho e o design dos personagens (uma das coisas que eu mais admiro em animações) meio cagado. Mas dei uma chance e fui assistir, porque eu tenho andado assim ultimamente. Eu já tinha ouvido falar que o filme não era lá muito infantil, e que os pais deveriam pensar algumas vezes antes de levar os seus filhos ao cinema para assistir a essa porcaria, digo, a esse filme. Mas o que eu não tinha ouvido falar é que Rango não foi feito nem para crianças e nem para adultos.
Tudo bem que a dublagem assassina muitas das piadas contextuais e das (raras) tiradas mais engraçadinhas dos personagens, mas a minha intuição me diz que a versão original também fez muita gente morrer um pouco por dentro. Não sei por onde começar a explicar por que diabos eu não consegui simpatizar com a trama e nem com os seus personagens que, além do seu aspecto cagado, não são bem construídos e me deixaram envergonhado por seus realizadores.
Só sei que, ao final da sessão, o filme deixa um gosto amargo, como se tu tivesse assistido 107 minutos seguidos de Zorra Total reencenado por animais panssexuais exóticos com senso de humor duvidoso, que se esforçam bravamente para, no fim das contas, passar apenas uma mensagem: economize água (?).
Rio (Carlos Saldanha, 2011)
Desde que começaram a falar nesse filme, eu encarnei a Regina Duarte e passei a morrer de medo pelo que estava por vir. Eu simpatizo com o Carlos Saldanha. Acho super importante ele ser um diretor brasileiro fazendo animação nos states e tal. Eu só não curto muito os filmes que ele fez até agora. Inclusive este Rio.
Mas vamos começar pelos pontos positivos, dos quais eu quase nunca falo (ver Distimia): a animação é tecnicamente e artisticamente incrível.
Ok, agora podemos falar sobre os pontos negativos. A história é bem fraquinha, cheia de clichês e nonsense do tipo “vamos desfilar na Sapucaí com um caminhão cheio de passarinhos contrabandeados antes de nos dirigirmos ao aeroporto e fugirmos com a muamba”, entre outros momentos WTF.
Era de se esperar que um diretor brasileiro, fazendo uma animação sobre o Brasil, tivesse um pouco mais de bom senso e tato para abordar a cultura do nosso país. Minha retina e os meus ouvidos não merecem ser expostos a cenas como a do Rodrigo Santoro encontrando a sua dentista biscate (que fala inglês, óbvio) no calçadão de Copacabana (gritando “Don’t forget to floss” enquanto oferece o seu corpo para os homens. Bem sério).
E acho que era desnecessário repetir o mesmo modelo de personagem pro segurança homossexual do abrigo para animais, pro parceiro babacão do vilão americanizado e pro porteiro da Sapucaí. Tem coisa melhor a se fazer do que reciclar o velho Shrek versão humano da Dreamworks.
Eu sei que puxo muito o saco da Pixar, mas é que eu me indigno com produtoras que debocham da inteligência de sua audiência. Eu não odiei totalmente Rio, mas não consegui sentir qualquer coisa de verdadeiro ou significativo nele. Vai ver foi a voz do Jesse Eisenberg, ou a onipresença de Will.i.am. Só sei que me senti envergonhado como brasileiro e como audiência. Boa sorte na próxima, Carlos Saldanha.





