Noite (in)feliz

20/11/2009 - Deixe seu recado!

Uma pergunta tem me atormentado muito nesse último semestre: POR QUE QUE ESSA MERDA DESSE ANO TÁ DEMORANDO TANTO PRA PASSAR, CARALHO?

Desde pequeno eu ouço as pessoas viajando e dizendo “nossa, esse ano passou ainda mais rápido do que o outro” ou gritando “meldels, o Natal já tá aí” quando a gente ainda estava em junho. Eu já vinha aceitando o fato de que, apesar de o ano passar super rápido desde que eu tinha quatro anos, as pessoas simplesmente esqueciam o quão rápido os anos realmente passavam, até que esse ano me esbofeteou bem no meio da cara e obliterou todos os argumentos que eu cultivei por mais de vinte anos.

Dois mil e nove passou mais devagar do que uma véia loira deficiente física dirigindo um caminhão. Pode ter sido culpa dos feriadões a cada duas semanas (odeio feriados), do atraso no começo das aulas, do meu estado bipolar, das minhas notas medíocres ou uma combinação desses fatores. O que eu sei, de fato, é que o Natal nunca esteve tão perto e ao mesmo tempo tão longe quanto agora.

Já estamos no meio de novembro e parece que o ano tá recém chegando na metade. Nem a decoração de Natal dos shoppings de Porto Alegre conseguiu me dar aquela coceirinha no ânus dessa vez. O que me leva a outro fator que pode estar contribuindo para o meu desânimo: as pessoas não enfeitam mais as casas como antigamente.

Quando eu era pequeno, a gente pegava um frango com farofa, metia dentro de uma lancheira com uma garrafa de Coca-Cola e saía em caravana pelas ruas de Porto Alegre para apreciar os enfeites de Natal nas fachadas dos prédios, as luzinhas coloridas penduradas nas árvores, as guirlandas penduradas nas portas das casas e o sorriso no rosto das crianças ao passear pela Bela Vista à noite na época do Natal.

Hoje é uma tristeza só. Não sei se por questões ambientais ou se por pura preguiça e falta de caráter, as pessoas (uma minoria miserável) só pegam e jogam uma bolinha colorida em uma árvore qualquer e rezam pra ficar pendurada ou cravam uma imagem decrépita do Papai Noel na porta e chamam de enfeite. Não existe mais magia…

O portoalegrense de hoje dá mais valor pro Halloween (que merda é essa?), uma porra de uma data estilo importação que não condiz com nenhum tipo de aspecto cultural da nossa cidade, estado ou país, do que para datas mais divertidas e internacionais (neste ponto, peço que ignorem o fato de a Coca-Cola ter criado e globalizado o Papai Noel). Lá no meu prédio as crianças se vestem feito uns maltrapilhos e saem batendo de porta em porta enchendo o saco e pedindo pra que a gente jogue balas e chocolates nelas até que elas desenvolvam cárie na orelha.

Não tem graça. Ainda mais quando a previsão é de que as gerações futuras comemorem a Ação de Graças comendo perus trangênicos gigantes e saibam a letra do hino dos Estados Unidos de cór ao invés do nosso, que é muito mais bonito.

Vai ver 2009 passou mais devagar porque o mundo está caminhando para o Apocalipse, e Deus está dando um tempinho extra para que nos preparemos para o pior.

Trabalho por comida

11/11/2009 - Deixe seu recado!

Ultimamente eu tenho pensado em várias formas de ganhar um dinheirinho honesto, inspirado por essa manada de gente incompetente que tem por aí fazendo trabalho porco e tirando uma boa grana de pessoas de boa fé. Cansei de ver gente defecando sobre telas de pintura e faturando leilões em Paris, se fazendo passar por Google Translate ambulante e garantindo a sua sobrevivência, operando milagres ao vender cocô travestido de livro de auto-ajuda, motivação profissional ou sobre bichinhos de estimação delinquentes mentais ensinando lições aos seus donos retardados, e mais um et cetera do tamanho do tico da Ivete Sangalo.

Filtrando as alternativas, cheguei às seguintes opções de carreira profissional:

- Professor de PowerPoint: pode parecer brincadeira, mas, segundo um recente estudo empírico realizado por Peres (2009), 98,7% das pessoas não sabem operar corretamente o PowerPoint e/ou padecem de mau gosto hereditário. Ainda segundo o estudo, o fenômeno atinge não apenas alunos, mas também professores, palestrantes, CEOs e todos os mortais restantes, o que demonstra uma carência desse nicho (se é que pode se chamar de nicho) de mercado imenso no que tange à realização de cursos de PowerPoint. Todo mundo já foi nocauteado por um bloco de texto imenso escrito em Comic Sans na tela de projeção, ou perdeu 50% da visão ao tentar ler o temível texto verde-limão sobre fundo cor-de-rosa fosforecente que se alastra feito a peste. Por isso, acho que este trabalho poderia ser muito gratificante, além de ter toda uma questão de responsabilidade social arraigada em sua base. (Dica grátis: não usem fotos como plano de fundo. bjs)

- Tradutor/Dublador: se toda mulher hoje em dia se apresenta como promoter barra modelo barra jornalista barra atriz barra pole dancer barra acompanhante de luxo, pouca pretensão tenho eu na minha carreira de tradutor barra dublador. Cansei de me lançar ao chão convulsionando após ter lido uma legenda tão mas tão perversamente errada e fora de contexto que faria a Glória Maria corar. E também cansei de superempolgação em dublagens de filmes e séries de TV, do tipo em que o ator ou atriz ou ser humano tá com a maior cara de Jennifer Lopez atuando (=embotamento afetivo agudo) e o(a) dublador(a) parece que tá narrando um Gre-Nal após ter injetado heroína com Red Bull nas nádegas. Novamente, meu trabalho teria uma função social importante, e eu estaria fazendo duas coisas das quais gosto muito, quais sejam, traduzir e usar a minha voz sexy em prol da humanidade.

- Escritor/Crítico de qualquer coisa: quem me conhece (ninguém) sabe que escrever é a minha paixão na vida, a ponto de eu sofrer de crises de abstinência quando fico muito tempo longe do meu blog e, o que é mais grave ainda, a ponto de eu escrever um blog há mais de 5 anos sem a expectativa de que alguém o visite. Além disso, apesar de não apreciar fazê-lo oralmente (calma, minha gente, é só a marca do fogão), sou viciado em dar o meu pitaco sobre as mais variadas coisas na forma escrita. Minhas quase-críticas são tendenciosas, unilaterais e radicais demais pro meu gosto, mas também são sinceras e melhors que as da Veja (por exemplo), e eu faria isso profissionalmente (=mediante pagamento) com prazer inimaginavelmente maior do que sinto hoje.

- Líder religioso: Dispensa apresentações. Dinheiro rápido e fácil. Se eu for preso em uma Igreja, terei sempre as outras 103032 para me acolherem. Se tiver algum pastor, rabino ou padre por aí, Jesus Cristo eu estou aqui, sem preconceitos. Trabalho com judeus, cristãos, evangélicos, renascer, universal, testemunhas de jeová, metodistas, mastercard e visa sem problemas.

- Mendigo de luxo: a quinta e última opção pertence a um nicho que eu descobri recentemente, mas que está aí nas ruas de Porto Alegre para todo mundo ver. O mendigo de luxo não vive na rua, tem família estruturada, seleciona os turnos em que irá trabalhar, come bem e pode exercer apenas uma função ou uma combinação delas (malabares com bolinhas, malabares com laranjas, malabares imaginário sob efeito do crack, guardador de carros, segurança de prédio sem porteiro, limpador de pára-brisas, pedinte, etc) que, se bem executadas, lhe garantirão uma renda [se não fixa, pelo menos] razoável a cada final de dia. Claro que de vez em quando o mendigo de luxo usa o crack para espairecer as idéias e afogar as mágoas de um dia não proveitoso, mas, afinal de contas, quem não usa? (brincadeira, pessoal. Crack nem pensar, ok?)

E se nada mais der certo, eu sempre tenho a Publicidade e, agora, a Psicologia para poder contar.

Eu queria um preisteicho…

12/10/2009 - Uma resposta

Pra quem sempre achou que iria terminar a vida sozinho acorrentado em um porão cheio de ratos recebendo um punhado de ração a cada dois dias, foi com um misto de estranheza e euforia que, há exatamente um ano, eu criei coragem e tasquei um beijo literalmente meia-boca naquela que então eu ainda não sabia ser a mulher da minha vida.

Muitos beijos, amassos quentes, sangue e carnificina depois, eis-nos aqui, agora, celebrando no dia 12 de outubro – além do aparecimento da Nossa Senhora e do dia dos mini-adultos cruéis – o nosso aniversário de namoro. Toda a minha vida eu achei que nunca iria me entregar tão fácil assim pra ninguém, nem muito menos utilizar a expressão ‘meu amor‘ para me referir a uma pessoa que supostamente seria perfeita e supriria todas as minhas necessidades e carregaria o meu filho no ventre e cuidaria de mim até o dia em que morrêssemos dois velhinhos abraçados em um banquinho na varanda de uma casa no campo. Mas a vida tem esse jeitinho de esfregar na nossa cara aquele tipo de coisa que desprezávamos com todas as nossas forças anteriormente, e o faz de um jeito sempre furtivo e enlouquecedor.

Se tem uma coisa que eu aprendi nesse último ano foi que a gente nunca deve debochar da desgraça alheia e  nem dizer que nunca faria tal ou tal coisa. Não é a declaração mais romântica ou socialmente aceitável a se fazer em uma data comemorativa de tamanha significatividade, mas a minha véia vai entender o espírito da coisa (assim espero). Afinal, orgulhamo-nos de não sermos o típico casal de questionário da Capricho, com seus comportamentos estereotipados e prazos de validade para afetos e relações sexuais (um ano e bombando, gurizada), que acabam levando muitos cristãos ao suicídio ou (o que é pior) aos livros de auto-ajuda.

Parágrafo único de declaração amorosa aberta ao público: Minha véia, nem preciso dizer que te amo mais do que tudo (clichê 1). Saiba que eu fui treinado para lidar com as adversidades da vida (isso inclui DRs e brigas sanguinolentas) e não vou desistir de ti nem que tu te esforce ao máximo (não é todo cara que tem coragem de dizer isso para uma pisciana, mas eu estou aqui, dando a cara a tapa). Tu me fez conhecer quase todas as emoções que um ser humano pode experimentar (às vezes em um único período de 30min), e foi contigo que eu aprendi a chorar feito uma menininha pré-pubescente e a não me envergonhar disso. Te ver sorrindo pela manhã  diariamente me faz pensar duas vezes antes de levantar da cama e reencenar a chacina da Candelária (clichê 2), e muita gente tem a agradecer por isso. Agora eu tenho quem me defenda de pessoas chutadoras de cadeira no cinema e dos operadores mal servidos sexualmente do telemarketing da NET. Tu é o pedaço de mim que estava faltando sem que eu me desse conta disso por 22 anos (clichê 3), e por isso eu ainda estou aprendendo a lidar com o fato de ter alguém pra cuidar (meus tamagotchis sempre morreram de fome, desculpa). Temos muito o que melhorar e, com certeza, juntos, iremos atingir a perfeição e dominar o mundo. Te amo pra sempre, porque tu é o amor da minha vida e eu sou o da tua (clichê 4); porque eu te mereço e tu me merece (ambos inserimos a cruz no ânus e giramos, infelizmente), e agora não tem pra mais ninguém. Te amo muito demais, minha véia com o sorriso mais lindo mundo.

Pra terminar, preciso agradecer a duas pessoas muito especiais que contribuíram para o desfecho feliz dessa história: à Ale, nossa cupida e grande operadora de milagres, a quem devemos o imprescindível fato de termos nos conhecido no dia 20 de setembro do ano passado; e à Lu, que incentivou desde o início o nosso relacionamento e me incumbiu da simples tarefa de cuidar bem da amiga dela (tenho me esmerado muito, tu nem tem idéia de quanto).

Novo sinal de trânsito em Porto Alegre

12/09/2009 - Deixe seu recado!

NOVO SINAL NA ZERO HORA:

novosinal_ZH

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NOVO SINAL NAS RUAS DE PORTO ALEGRE:

novosinal_POA___

Para maiores informações, acesse www.novosinal.com.br.

Ativismo ecológico para leigos (ou O Estaleiro Só para quem?)

24/08/2009 - 2 Respostas

Virou modinha desde o ano passado discutir o futuro da região onde hoje se encontram, em Porto Alegre, as ruínas do “Estaleiro Só“. Mas o que realmente está em jogo? Por que tamanha celeuma em torno de um assunto tão incrivelmente inútil e facilmente resolvível? O que estava em jogo no plebiscito de domingo último?

estaleiro2

Para os que não sabem, a tal Estaleiro Só S/A foi uma empresa brasileira que construía navios (amo a Wikipédia) e que, após decretar falência, acabou deixando sua carcaça deposta sobre as margens do Lago Guaíba. Anos após a bancarrota, os restos mortais da empresa ali permaneceram, transformando o seu entorno em um ambiente propício à utilização e comercialização ilegal de produtos químicos alucinógenos e à perpetração de inserção indevida de órgãos genitais masculinos em órgãos genitais femininos através do uso da força (mais conhecidos como ‘boca de fumo’ e ‘estupro’, respectivamente).

No ano passado, à medida em que pessoas com demasiado tempo livre e/ou espécimes underground da sociedade portoalegrense descobriram (assim, num estalar de dedos) que a região onde se situa o Estaleiro Só havia sido vendida (há quase dez anos), e que havia um projeto para revitalizar a área através da construção de prédios residenciais e comerciais, todos resolveram se rebelar contra o novo, e assim intitulado, Pontal do Estaleiro.

estaleiro

De uma hora para a outra, uma manada de pseudo-ativistas ecológicos se ergueu do solo e iniciou a caminhada contra a execução do Pontal do Estaleiro, uns sabendo e outros não que o local está sucateado, abandonado, pútrido e, além de tudo, oferece perigo para os que se arriscam e passar por ali. Pra piorar, embora 99,9% dos portoalegrenses não tenham ficado sabendo, neste domingo foi realizado um plebiscito para decidir, em parte, o rumo do Estaleiro Só nos próximos meses.

Os que foram votar, talvez nem tenham se dado conta de que o poeta Fogaça e cia. apenas perguntavam se a população era a favor da construção de prédios residenciais no local ou não. Simples assim. Oitenta e tantos por cento foram contra, obviamente. Espigões comerciais estão ok, pessoal. Prédios residenciais não. O que muda?

Por mim, podem destruir aquele antro da perdição e construir qualquer coisa que quiserem por cima. Se revitalizarem nos moldes do que foi proposto, Porto Alegre só tem a ganhar com a construção de alguns pequenos prédios, de um píer e de uma orla decente pela qual nós portoalegrenses possamos passar a pé ou de carro, sem que tenhamos medo de ter que abaixar as calças e agradecer aos estupradores de plantão e fumar um baseado na moita em seguida.

Ativismo ecológico é legal, gurizada. Só pensem bem se não estão exagerando ao proteger o improtegível e a defender com unhas e dentes um câncer dentro de nossa cidade. E vocês vão ter que engolir o Pontal do Estaleiro, porque ele vai ser construído quer vocês queiram ou não.

3 coisas que o século XXI não conseguiu extinguir

17/08/2009 - Deixe seu recado!

1) Calças estilo ‘incontinência fecal

Não tem um mísero dia em que eu não saia na rua e me depare com pelo menos um(a) delinquente mental vestindo um par de calças com 25 metros de tecido sobrando no meio das pernas, por vezes arrastando no chão o local onde a virilha deveria estar presa. Não que eu seja discípulo de Glória Kalil (que certamente usa um desses mistos de fralda geriátrica e capa de sofá) ou coisa parecida. A palavra de ordem aqui é ‘bom senso’, galera.

calças

Outro dia eu vi uma em que o vão no meio das pernas da probanda era tão enorme que eu cheguei a sentir pena, em um primeiro momento, pensando que ela tinha preenchido o seu traje até os pés com fezes em uma espécie de churril from hell, mas depois eu vi que ela estava apenas usando uma dessas aberrações da moda, que vão e voltam (para a sorte de uns e para a vergonha de outros). O pior é que eu já vi alguns sujeitos do sexo masculino (não tão masculinos assim) vestindo esse estilo de calça com bolsa para evacuações de emergência no meio das pernas. Acho bom eu parar por aqui, porque se ‘quem desdenha quer comprar’ eu tô fodido e mal pago.

2) Avisos de “é proibido fotografar ou filmar este espetáculo

Galera da produção de shows e o escambau, eu só tenho uma palavra a dizer. Ela começa com ce e termina com lular. Não sei se contaram pra vocês, mas hoje em dia até a filha da faxineira da pocilga mais furreca da favela mais decrépita do país mais bagaceiro do mundo possui um aparelhinho mega divertido com vários botõezinhos coloridos que tu coloca  entre a boca e a orelha (de preferência) para se comunicar com pessoas chatas que tu não quer ver pessoalmente.

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Esse aparelho, além de fotografar, filmar, servir como estimulante sexual para mulheres fogosas, fritar ovos e, eventualmente, telefonar, pode ser levado para os lugares mais inusitados e divertidos, como prisões, salas de aula, shopping centers e, por que não?, casas de espetáculo. Não obstante, as câmeras fotográficas estão cada vez menores e mais compatíveis com locais escuros e apertados, como bolsas, bolsos e ânus. Então, antes de passarem esse aviso, utilizem-se do bom senso universal e poupem os meus ouvidos de tamanho acúmulo de defecação verbal. Obrigado.

3) Igreja Universal (Católica, Metodista, Luterana, caralho a quatro…)

Pessoal, eu nunca achei que ia dizer isso sobre uma emissora tendenciosa, mas o que a Globo fez essa semana com a Record foi hilariante. Claro que não é novidade para pessoas cultas e alfabetizadas que pagar dízimo pra Igreja (sem contar frequentar uma, se confessar pra véio brocha, etc) está fora de cogitação, mas é sempre divertido ver um bispo (oi, tio Edir) sendo humilhado em rede nacional. Ainda mais quando o seu império vive tempos glórios e comemora a contratação do Antônio Augusto de Morais Liberato (Gugu, se tu estiver lendo isso, manda beijo pra tu irmã. Amo ela) e a saída justa do aprendiz de saco escrotal Roberto Justus. Todo mundo sabe que a Igreja Universal não vai acabar, nem mesmo se as pessoas que a frequentam recebessem um atestado de idiotice carimbado no meio da testa e se todos os templos decadentes deles desabassem.

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Enquanto houver gente fraca nesse mundo, haverá a religião (/momento filosofia de porta de banheiro público). Nada impede, entretanto, que eu me divirta secretamente cada vez que um casal da Renascer é preso por estelionato, cada vez que um pregador de peruca de quinta rouba uma gravata e é mini-preso, ou cada vez que a Rede Globo decide usufruir de um escândalo religioso para alavancar a sua audiência. Pena que A Fazenda é, de fato, melhor que o dejeto televisivo que eles chamam de No Limite. Bom, saí do tópico totalmente. Amo vocês.

I <3 gripe suína

10/08/2009 - Uma resposta

Por incrível que pareça, as férias são o período em que eu menos consigo arranjar tempo para escrever aqui. Quer dizer, eu não faço nada o dia inteiro. Simplesmente nada. Desempregado que sou, e com as aulas sendo adiadas a cada semana para que os alunos desse meu Brasil aproveitem os seus últimos dias antes de pegarem gripe suína e morrerem a partir do dia 17 de agosto, consigo pensar em pelo menos três coisas que eu prefiro fazer com a minha namorada antes de sentar pra escrever aqui durante as férias.

Além disso, fiz uma limpa no guarda-roupas (se vocês passarem por mendigos fashion em Porto Alegre, lembrem-se de mim e da minha generosidade), comprei uma cama de casal que não faz barulho (utilidade pública), fiz um curso (cabeça vazia, morada das fezes), comecei a fazer spinning e duathlon (para manter os meus 1m85 de pura gostosura), caminhei até o BarraShopping (pela segunda vez; Guinness, oi) e patinei no gelo (mentira, mas pretendo até o dia 30).

Deu pra perceber porque eu estive ausente todo esse tempo. Então, passei por aqui pra avisar que o blog fez aniversário (já não sei mais quantos anos são; façam as contas), e que eu mesmo estarei aniversariando em um futuro não muito distante. Portanto, mensagens de carinho serão muito bem-vindas em minha caixa de comentários (a esperança é a última que morre, se bem que com essa gripe suína…). Beijos e até o início das aulas.

Porto Alegre vista de cima (do ônibus)

15/07/2009 - Deixe seu recado!

Eu amo a minha cidade. Não há sentimento no mundo que se compare com aquele que sinto ao aterrissar com segurança em Porto Alegre após sofridas horas de viagem de avião. Pode parecer um discurso um tanto melancólico e clichê (Porto Alegre me faz/tão sentimental), mas voltar a Porto Alegre é sempre o momento mágico derradeiro de toda viagem que faço.

Mesmo assim, crescer e morar em um mesmo lugar a vida inteira deflagra um processo de afastamento da realidade em que estamos inseridos. Quantos de vocês, por exemplo, se mobilizam a conhecer os pormenores de sua cidade natal  do modo como o fazem em território estranho/estrangeiro? Quantos se interessam pela história e se impressionam com a beleza da paisagem cotidiana de uma cidade que virou rotina?

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Enquanto tem neguinho por aí que prefere ir limpar bunda de cachorro de filho de babysitter e aprimorar seu inglês sofrível lavando pratos nos estados unidos da américa do norte, eu sempre tive comigo que Porto Alegre é uma das cidades mais aconchegantes e bonitas do mundo, e que aqui é o meu lar. Ela pode não ter um museu do tamanho do Louvre, um arranha-céu do tamanho do WTC (fail!!!), ou uma história milenar, mas ninguém me demove da idéia de que Porto Alegre é a melhor cidade do mundo.

Foi com grande emoção, portanto, que ontem à tarde eu finalmente embarquei no ônibus da Linha Turismo de Porto Alegre. Os termômetros marcavam 7 ou 8 graus, mas por dentro eu me aquecia com um misto de nostalgia e empolgação típica de criança em véspera de Natal. Sentado na fileira do fundo no andar de cima do veículo (e muito bem acompanhado, diga-se de passagem), comecei a sentir o vento gélido cortando as minhas faces, e a temer os fios de alta tensão e galhos de árvores que passavam a poucos centímetros de nossas cabeças.

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Por mais que tivesse corrido, percorrido e recorrido aqueles caminhos inúmeras vezes, desta perspectiva tudo parecia novo e emocionante. A ponte branca, o monumento dos Açores, as Torres Gêmeas portoalegrenses: cada um dos atrativos de nossa cidade me era mostrado com se o fora a um turista. E assim, conforme o frio aumentava e o sol lentamente se punha, seguimos viagem a recônditos até então desconhecidos por mim, incluindo um local com a vista mais belíssima de Porto Alegre que eu jamais vi.

gasometro

Do ponto de vista da Antropologia (valeu, Gilse!), diria-se que o passeio proporcionou com que fizéssemos ao mesmo tempo um estranhamento do familiar e uma familiarização do estranho: a Porto Alegre que eu não conhecia se desvendou aos poucos diante dos meus olhos; a que eu pensava familiar mostrou-se outra inteiramente diferente.

Tudo isso em um simples passeio de ônibus?“, vocês devem estar se perguntando. É certo que a minha paixão por Porto Alegre enviesou cada quilômetro percorrido. Entretanto, fica aqui a sugestão de um ótimo programa familiar para turistas e portoalegrenses apaixonados por sua cidade. Já dizia o prefeito: “Porto Alegre é demais“.

Ei, Michael, eles não se importam com a gente!

27/06/2009 - Deixe seu recado!

Premonições me deixam assustado. E não falo de premonição tipo a do cara que previu o acidente do AF447 no dia seguinte ao acidente, ou de previsões horoscópicas do tipo “hoje você pode sofrer experiências diferentes que irão alinhar o seu chi com a posição do Sol em Urano”, mas sim de premonições do tipo ‘fazer um post sobre a importância da vida de certas pessoas sobre a vida de outras um dia antes de o Michael Jackson viajar para a Terra do Nunca’.

Não que eu tivesse pressentido que o Michael Jackson ia morrer (fisicamente, pois por dentro ele já morreu há anos), mas o conteúdo do post anterior diz muito sobre um fenômeno que eu aprendi na faculdade (valeu, Schröder), chamado curto-circuito midiático, que ilustra o que está ocorrendo nos meios de comunicação do mundo inteiro enquanto eu escrevo.

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Para quem porventura ainda não percebeu, todos os telejornais da Globo tratam de um só assunto desde quinta-feira à noite. E não apenas os telejornais, e não apenas a Rede Globo de Televisão. O mundo inteiro parou de produzir eventos significativos e, consequentemente, notícias decentes, para que o público possa se deliciar uma vez mais com a história de Michael Jackson, com os passos de dança do Michael Jackson, com os clipes do Michael Jackson, com a cor das fezes do Michael Jackson, com o destino dos filhos mascarados de Michael Jackson, e por aí vai.

A mídia internacional se transformou, da noite pro dia (na verdade, em uma noite, apenas) em um gigantesco e massante Superpop especial de Natal. A morte de Michael Jackson, assim como a de Lady Di em 1997, provocou, portanto, um curto-circuito midiático – conceito com o qual trabalha Ignacio Ramonet em seu livro A Tirania da Comunicação -, no sentido de que a mídia mundial, de maneira uniforme, impõe um estado de luto generalizado na população. Todos choram a morte de Michael Jackson, desde o mendigo cheirado de crack que pede esmola no sinal até a Vera Loyola e suas cadelinhas humanizadas.

A morte vira espetáculo e, dessa forma, infla-se de significações que fazem com que todos se sintam meio parentes (e carentes) do Michael Jackson (ou do Ayrton Senna, ou da Madonna [cedo demais?]. Não tiro o mérito desse grande artista, que, mesmo apesar de ter pagado por seus pecados em vida, conseguiu manter um grupo de fãs fiéis e fanáticos até o último suspiro de seu ídolo, ao construir uma vasta obra musical, inovadora embora inconsistente, mas, acima de tudo, eterna. Entretanto, uma homenagem decente e carinhosa no dia da morte já é o suficiente, a não ser que realmente o mundo tenha mudado muito a partir do desaparecimento de Michael Jackson, fazendo o Senado decretar férias coletivas, tornando o Irã o país do Carnaval e exterminando o vírus da gripe suína definitivamente.

Vidas que valem ouro

24/06/2009 - Deixe seu recado!

O que faz com que a vida de uma pessoa tenha mais apelo cinematográfico do que a de outra? Como podemos considerar uma pessoa mais importante do que a anterior? Será que o Selton Mello iria aceitar me interpretar no cinema?

A resposta para essas e outras perguntas vocês não irão encontrar neste post, infelizmente (sorriam). Entretanto, este assunto tem me feito produzir sinapses em lugares inéditos do meu cérebro durante essas duas últimas semanas, e eis-me aqui compartilhando conhecimento inútil com leitores não-existentes.

Tanto o acidente da Air France como o lançamento da cinebiografia de Jean Charles (aquele que o pessoal matou lá em Londres porque acharam que tinha cara de terrorista) me fizeram pensar no valor da vida de cada um de nós. Conversando com a minha namorada, caí em uma auto-armadilha e proferi a seguinte asneira (com um certo tom de ironia pobre): “nossa, é impressionante como sempre tem gente importante nesses acidentes de avião”, referindo-me aos inúmeros cantores e presidentes de empresa e príncipes (“mãe, príncipe existe?) e o caralho a quatro. Com muita destreza de pensamento, ela me redarguiu: “Todo mundo é importante”, me deixando com a cara espatifada no chão enquanto eu buscava argumentos que me fariam convencê-la de que eu não queria ter dito exatemente aquilo.

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Quando soube do filme sobre Jean Charles, lembro-me de, primeiro, ter perdido total fé na humanidade. Depois, imaginei o filme todo em cinco segundos: cena 1, Jean Charles entra no metrô; cena 2, Jean Charles leva um tiro e morre; cena 3, Jean Charles é enterrado. Não conseguia entender como o fato de um cara ter sido baleado por engano pelas costas o poderia tornar mais digno de um filme do que eu.

Uma depressão leve me atingiu, no momento em que me dei conta de que talvez a minha vida tenha sido muito não-cinematográfica: nunca morri, nunca levei tiro pelas costas, nunca fui jogado pela janela (vem aí: Voando Alto, a história de Isabella Nardoni), nunca fui estuprado, nunca usei drogas pesadas, nunca fui arrastado por um carro em movimento (breve nos cinemas: O Beijo no Asfalto 2: o Retorno de João Hélio). Sou apenas um cara normal, que nunca terá a sua vida retratada nos ecrãs do mundo inteiro, justamente por ter vivido uma vida sem graça e mundana. Dica: avisem o Selton Mello que eu estou cogitando o suicídio.