Uma pergunta tem me atormentado muito nesse último semestre: POR QUE QUE ESSA MERDA DESSE ANO TÁ DEMORANDO TANTO PRA PASSAR, CARALHO?
Desde pequeno eu ouço as pessoas viajando e dizendo “nossa, esse ano passou ainda mais rápido do que o outro” ou gritando “meldels, o Natal já tá aí” quando a gente ainda estava em junho. Eu já vinha aceitando o fato de que, apesar de o ano passar super rápido desde que eu tinha quatro anos, as pessoas simplesmente esqueciam o quão rápido os anos realmente passavam, até que esse ano me esbofeteou bem no meio da cara e obliterou todos os argumentos que eu cultivei por mais de vinte anos.
Dois mil e nove passou mais devagar do que uma véia loira deficiente física dirigindo um caminhão. Pode ter sido culpa dos feriadões a cada duas semanas (odeio feriados), do atraso no começo das aulas, do meu estado bipolar, das minhas notas medíocres ou uma combinação desses fatores. O que eu sei, de fato, é que o Natal nunca esteve tão perto e ao mesmo tempo tão longe quanto agora.
Já estamos no meio de novembro e parece que o ano tá recém chegando na metade. Nem a decoração de Natal dos shoppings de Porto Alegre conseguiu me dar aquela coceirinha no ânus dessa vez. O que me leva a outro fator que pode estar contribuindo para o meu desânimo: as pessoas não enfeitam mais as casas como antigamente.
Quando eu era pequeno, a gente pegava um frango com farofa, metia dentro de uma lancheira com uma garrafa de Coca-Cola e saía em caravana pelas ruas de Porto Alegre para apreciar os enfeites de Natal nas fachadas dos prédios, as luzinhas coloridas penduradas nas árvores, as guirlandas penduradas nas portas das casas e o sorriso no rosto das crianças ao passear pela Bela Vista à noite na época do Natal.
Hoje é uma tristeza só. Não sei se por questões ambientais ou se por pura preguiça e falta de caráter, as pessoas (uma minoria miserável) só pegam e jogam uma bolinha colorida em uma árvore qualquer e rezam pra ficar pendurada ou cravam uma imagem decrépita do Papai Noel na porta e chamam de enfeite. Não existe mais magia…
O portoalegrense de hoje dá mais valor pro Halloween (que merda é essa?), uma porra de uma data estilo importação que não condiz com nenhum tipo de aspecto cultural da nossa cidade, estado ou país, do que para datas mais divertidas e internacionais (neste ponto, peço que ignorem o fato de a Coca-Cola ter criado e globalizado o Papai Noel). Lá no meu prédio as crianças se vestem feito uns maltrapilhos e saem batendo de porta em porta enchendo o saco e pedindo pra que a gente jogue balas e chocolates nelas até que elas desenvolvam cárie na orelha.
Não tem graça. Ainda mais quando a previsão é de que as gerações futuras comemorem a Ação de Graças comendo perus trangênicos gigantes e saibam a letra do hino dos Estados Unidos de cór ao invés do nosso, que é muito mais bonito.
Vai ver 2009 passou mais devagar porque o mundo está caminhando para o Apocalipse, e Deus está dando um tempinho extra para que nos preparemos para o pior.

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